Município de Almodôvar

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9.ª Festival Terras Sem Sombra teve "um dos melhores arranques de sempre"

Igreja Matriz de Almodôvar recebeu Concerto Inaugural do Terras sem Sombra com "casa cheia"
“Verificar que, a cada concerto que passa,os monumentos religiosos da nossa região se vão enchendo cada vez mais,como foi o caso do espectáculo em Almodôvar,é um sinal de que o projecto está a realizar o seu caminho e que o Festival começa a fazer parte da vida cultural e socialdos territórios por onde passa”

Este sábado, dia 13 de Abril, as ruas da vila de Almodôvar ganharam nova vida, e a igreja matriz depressa encheu para receber o concerto inaugural do Terras Sem Sombra: o Stabat Mater de Pergolesi fez-se ouvir pelas vozes da soprano Raquel Alão e da mezzosoprano Marifé Nogales, emolduradas pelo Concerto Moderno, sob direcção musical de César Viana. Também W. A. Mozart e Toru Takemitsu foram folheados nas estantes, numa viagem com mais de dois séculos de história.

Almodôvar é, desde há séculos, um marco na história da música alentejana; o enriquecimento da tradição polifónica por parte desta comunidade deixou diversos vestígios, fazendo parte do respectivo legado um importante pólo musical, o convento franciscano de Nossa Senhora da Conceição. A edição deste ano, dedicada à Polifonia, encontrou nesta localidade um ponto de partida propício para uma viagem musical, que irá percorrer, desde a época gótica aos dias de hoje, algumas das obras de maior relevo da tradição polifónica.

“Verificar que, a cada concerto que passa, os monumentos religiosos da nossa região se vão enchendo cada vez mais, como foi o caso do espectáculo em Almodôvar, é um sinal de que o projecto está a realizar o seu caminho e que o Festival começa a fazer parte da vida cultural e social dos territórios por onde passa”, assume José António Falcão, director-geral do Terras sem Sombra, após ter confirmado a “casa cheia” para o concerto de abertura.
A acção do Terras Sem Sombra estende-se, ainda, à preservação da biodiversidade local. O destaque do corrente ano privilegia a salvaguarda dos recursos aquáticos, uma vez que o Festival se associou às comemorações do Ano Internacional de Cooperação pela Água, iniciativa da UNESCO. Deste modo, ontem, a acção de biodiversidade decorreu na ribeira do Vascão, em colaboração com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, o Município almodoverense e a Associação de Apicultores do Parque Natural do Vale do Guadiana.

Os artistas que haviam actuado no dia anterior juntaram-se a três dezenas de voluntários e, trabalhando lado a lado, uniram esforços no sentido de preservar o equilíbrio de um dos mais ricos e importantes habitats europeus (ou até mesmo mundiais), monitorizando as espécies de bivalves que abundam naquele local, como o mexilhão-do-rio. Recorde-se que foi esta espécie, presente em diversas áreas europeias, que forneceu pérolas em grande quantidade, usadas para ornar as coroas de diversas monarquias europeias, como é o caso da austro-húngara.

Próximo concerto: Dia 20 de Abril, em Santiago do Cacém

A próxima paragem será Santiago do Cacém, já no próximo fim-de-semana. No dia 20, o agrupamento italiano laReverdie percorrerá as partituras de Pedro de Escobar e Guillaume Dufay, enchendo a igreja matriz desta cidade com as melodias renascentistas do Caminho dos peregrinos a Compostela. No dia seguinte, a acção de biodiversidade decorrerá na Lagoa de Santo André, uma paragem obrigatória na rota migratória transcontinental das aves (entre a Europa e a África).