Município de Almodôvar

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Mestre Severo Portela

Mestre Severo Portela

Severo Portela Júnior apareceu pela primeira vez na exposição anual da Sociedade Nacional de Belas Artes em 1930, com um grande quadro intitulado “Músicos de Aldeia”. Depois desta mostra obteve o prémio Rocha Cabral e a primeira medalha de ouro da Sociedade Nacional de Belas Artes. Desde então, passou a concorrer a todas as exposições anuais levadas a cabo na referida Sociedade e, em 1931, obteve novamente mesmo prémio com a apresentação do seu quadro “1980”, que o Estado adquiriu para o Museu de Arte Contemporânea.

São de realçar as telas de grandes proporções, “Os Alentejanos” (1934) e “Os de Almodôvar” (1941), adquiridas pelo Estado para o Museu de Arte Contemporânea. Refira-se também o quadro “O Último Cocheiro”, adquirido pela Câmara Municipal de Lisboa para exposição no Museu da Cidade. Compôs centenas de telas de menores dimensões, atualmente expostas em galerias, museus e edifícios públicos de norte a sul do país, e realizou cinco exposições individuais, três em Lisboa e duas no Porto. Os seus motivos prediletos foram sempre estas boas gentes da “sua” Vila ao sul de Beja – Almodôvar – os seus maiorais, ceifeiros, ganhões, enfim, todo o povo humilde que trabalhava a terra nas planícies onde viveu trinta anos.

A partir de 1940, assume-se como decorador de grandes superfícies, tendo sido convidado pelas entidades oficiais para pintar um motivo de decoração “a fresco” no novo Tribunal de Beja. Por essa altura, vai a Itália para aprender a antiga técnica de aplicação de tintas sobre argamassa. Pouco tempo depois do trabalho no Tribunal executou o grande Tríptico do Salão Nobre da Câmara Municipal de Beja, vulgarmente conhecido como “Painéis do Foral”. Na época, expôs alguns desenhos dessa obra, que lhe valeram a medalha de honra da Sociedade Nacional de Belas Artes.

“A fresco”, decorou o Palácio da Justiça de Bragança e realizou o enorme painel da Faculdade de Letras de Coimbra. Mais tarde executou cinco frescos decorativos na sala de audiências do Tribunal da Covilhã, pintou um fresco de grandes dimensões no átrio da Faculdade de Medicina de Coimbra e decorou a Domus Justitiae de Viseu. 

É também de sua autoria o tríptico a óleo “Ceifeiros”, e o “grafitado” na Capela do Hospital de S. Brás de Alportel, e são numerosos os seus quadros de pintura a óleo espalhados por vários museus do país, designadamente, o Museu do Chiado, da Marinha, o Museu Nacional de Arte Contemporânea e da Cidade, em Lisboa, o Museu Soares dos Reis, no Porto, o Museu Grão Vasco, em Viseu, o Museu do Caramulo, o Museu Rainha Dona Leonor, em Beja, e o Museu Severo Portela, em Almodôvar. 

Como escultor, fez o padrão Henriquino destinado ao ex-Ultramar e executou a estátua do Governador da Índia, D. Nuno da Cunha. Como reconhecimento do valor das suas obras, o Estado concedeu-lhe o grau de Oficial da Ordem da Instrução Pública e o grau de Oficial da Ordem Militar de Cristo. Foi também membro jubilado da Academia Nacional de Belas Artes. 

Homem religioso, a sua obra está também presente em vários edifícios religiosos, quer na Vila de Almodôvar, nomeadamente na Capela Batismal da Igreja Matriz e no interior e exterior da Igreja da Misericórdia, quer noutros pontos do país.